Obra de Restauração da Plenária do Palácio Amarelo

por Adriana Fradique publicado 29/01/2026 17h38, última modificação 29/01/2026 17h38

1. INTRODUÇÃO

Em 2019, uma iniciativa em conjunto entre a Câmara Municipal de Petrópolis - CMP e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ foi idealizada para a criação de um projeto de gestão e restauração do Palácio Amarelo. A partir disto foi firmada uma parceria entre as duas instituições, a fim de diagnosticar as principais potencialidades e fragilidades da edificação e propor um plano eficiente de recuperação e gerenciamento do monumento.

O projeto iniciou, oficialmente, em agosto de 2020 com a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre a Câmara Municipal de Petrópolis e a UERJ (ID: 2273428), sendo renovado em 2024/2027 para complementação dos três eixos que compõem o plano de preservação do palácio amarelo.

O projeto foi denominado como Palácio Amarelo: Plano de Gestão e Preservação e foi desenvolvido de modo sistêmico e integral, a partir de três eixos de ações: Eixo 1 – Infraestrutura, Eixo 2 - Comunicação e Educação e Eixo 3 – Fortalecimento Institucional.

 

2. DIAGNÓSTICO

Em dezembro de 2023, a Câmara Municipal realizou em conjunto com a equipe da UERJ, uma reunião com o IPHAN para verificação dos danos causados pelas chuvas no salão da plenária. Foi tratada a realização da recuperação dos danos na ornamentação interna interna da plenária. Foram executados os serviços de limpeza mecânica e química pela empresa Imperial CIA de Restauro para retirada de sujidades e microorganismos existentes.

No início de 2024, a Câmara protocolou o projeto no IPHAN, que incluía uma autorização provisória de equipamento de rapel para revitalização da fachada com a retirada de vegetação,

tratamento nas rachaduras e impermeabilização da marquise. Na análise realizada pela empresa Imperial Cia de Restauro, a plenária tinha grave incidência de agentes biológicos (fungos), eflorescência e perda de camada pictórica, perda de elemento artístico em estuque, substrato aparente e desprendimentos.

No geral, o estado de conservação estava precário, com ações físicas com deslocamentos, trincas e fissuras, ações externas com infiltrações. Desagregação do suporte e resistência de argamassa, agentes biológicos que comprometiam a salubridade do local, além da ausência de camada protetiva.

 

3. RECOMENDAÇÕES

Foram dadas como recomendações: adequação do espaço, mapeamento dos danos, higienização mecânica/quÍmica dos agentes biológicos, consolidação do suporte e camada pictórica, nivelamento das perdas das pinturas, recomposição das perdas de estuque ornamental e reintegração cromática.

 

4. EXECUÇÃO DA RESTAURAÇÃO DA PLENÁRIA

Em março de 2024, os trabalhos de restauro iniciaram na parede lateral direita, com a montagem dos andaimes e com a preparação da sala. Foram retiradas amostras das paredes, que foram levadas para análise. As cortinas foram retiradas e enviadas para higienização.

A área de intervenção foi desinfetada para amenizar ação dos agentes biológicos. Também foi realizada limpeza mecânica do tipo “metade x metade”. A técnica serve para a visualização do processo de antes de depois da higienização dos ornatos.

 

Durante o processo também houve a análise das esculturas e capiteis e limpeza mecânica dos elementos artísticos, sempre separados por quadrantes. A remoção de salinização e de partículas e sujidades também foram realizados aos poucos, obedecendo uma ordem previamente estabelecida dos quadrantes com aplicação de solução de água destilada + álcool + amônia quaternária.

 

 

Em abril de 2024, a equipe de trabalho recebeu a visita do Ministério Público do Trabalho e de representantes do INEPAC.

No mês seguinte teve início os trabalhos de recomposição. Foi aplicada argamassa de areia e cal hidratada para o nivelamento das estruturas e aplicação de tinta fluida com uma base mais próxima para “tirar o branco”, pois tratou-se de um trabalho de pintura feito em camadas: para receber o processo de reintegração cromática, a técnica usada foi o de aguada em camadas, que permite uma apropriação de uma série de tons policromáticos a partir de uma única cor de base.

Em junho foi feita análise das fiações para tomada de decisão sobre a retirada, pois os cabos estavam presos por pregos oxidados e havia risco de curto circuito. Decidiu-se pela retirada da fiação comprometida em todo o perímetro da plenária. O serviço foi feito por profissionais técnicos.

Finalmente, a primeira etapa do trabalho finalizada com a consolidação dos elementos na parede com argamassa e base de cal.

 

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