Atividades de Comunicação, Educação Patrimonial e Formação

por Adriana Fradique publicado 29/01/2026 17h23, última modificação 29/01/2026 17h23

O Projeto Palácio Amarelo: Ação e Preservação, desenvolvido a partir da parceria entre a Câmara Municipal de Petrópolis e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), reúne um conjunto contínuo de ações voltadas à valorização do patrimônio histórico, à educação patrimonial, à qualificação técnica e à produção de conhecimento sobre o edifício que abriga o Legislativo municipal, bem tombado e de reconhecida importância cultural para a cidade.

As atividades de educação patrimonial tiveram início em abril de 2021, com ações direcionadas a alunos do ensino fundamental. Em 28 de abril daquele ano, estudantes do sexto ano da Escola Paroquial do Loteamento Samambaia participaram de uma atividade online conduzida durante as aulas de Educação Artística. A iniciativa foi elaborada de forma colaborativa pelo professor Mauro Tavares, integrante do projeto de extensão em Educação Patrimonial da UERJ, e pela equipe do projeto, com o objetivo de estimular a valorização do patrimônio histórico local e ampliar o conhecimento das crianças sobre o Palácio Amarelo. A atividade contou com a participação da professora Maria das Graças Ferreira, coordenadora do projeto de restauração, e de suas bolsistas e orientandas Alexia Cantreva e Sabrina Luise, em um ambiente descontraído, marcado pelo interesse e envolvimento dos alunos.

Como parte das ações educativas, foi desenvolvido um caderno de atividades de educação patrimonial voltado para alunos do ensino fundamental. O material foi elaborado por Mauro Portela, então aluno do nono período de Arquitetura e Urbanismo da UERJ – campus Petrópolis, formado em Belas Artes e professor da rede pública municipal. Sob orientação da professora Graça Ferreira, o caderno integra as ações da parceria entre a UERJ e a Câmara Municipal de Petrópolis e apresenta conteúdos sobre o patrimônio cultural da cidade, a história e a arquitetura do Palácio Amarelo.

As atividades propostas foram baseadas em cartilhas do IPHAN e incluíram exercícios como a construção de mapas mentais, nos quais os alunos representaram o percurso entre suas casas e o Palácio, destacando pontos marcantes da cidade e do entorno do edifício histórico. Essas práticas foram aplicadas em escolas como a Escola Municipal Professora Jandira Bordignon, Escola Municipal Bataillard e Escola Paroquial do Loteamento Samambaia, com resultados expressivos em desenhos e produções dos estudantes.

Atividade realizada por Sarah Pereira da Silva, 13 anos, aluna do sétimo ano da Escola Municipal Bataillard (2021)

 

Ainda em 2021, as ações de educação patrimonial foram ampliadas para outras instituições de ensino, incluindo o Liceu Municipal Prefeito Cordolino Ambrósio. Nesse contexto, além das atividades presenciais conduzidas pelo professor Mauro Tavares em seus horários de aula, passaram a ser utilizados vídeos produzidos pela equipe de educação patrimonial e disponibilizados no YouTube, cuja exibição foi organizada pela coordenação escolar, ampliando o alcance das iniciativas.

Paralelamente às ações educativas, o projeto também desenvolveu atividades voltadas à conservação e à gestão do acervo histórico da Câmara Municipal. A equipe do Plano de Ação e Preservação passou a estudar estratégias para a conservação do setor de arquivo, considerando a relevância e a extensão do acervo documental.

Foram buscadas referências técnicas e profissionais especializados no tratamento, manuseio e preservação de livros e documentos antigos, com vistas à capacitação dos servidores que atuam diretamente no setor. Nesse contexto, foi promovida uma parceria entre a Câmara Municipal de Petrópolis e o Museu Imperial, resultando na realização de oficinas de Conservação Preventiva do Arquivo.

As atividades ocorreram em novembro de 2021, com um encontro online dedicado aos fundamentos teóricos da conservação preventiva e uma etapa presencial voltada à apresentação de técnicas práticas de preservação, higienização, manuseio e acondicionamento do acervo, em uma troca rica de conhecimentos entre os participantes.

Oficina presencial realizada no dia 10 de novembro de 2021

 

As ações de pesquisa histórica e documental também integraram o escopo do projeto. Integrantes da equipe de Gestão e Plano de Ação do Palácio Amarelo realizaram visitas ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC), no Rio de Janeiro, nos meses de julho e agosto de 2021. Nessas visitas, a professora Maria das Graças Ferreira, acompanhada das alunas Gabriela Dias e Sabrina Luise do Nascimento, teve acesso a um amplo conjunto de documentos, como fotografias, plantas arquitetônicas, diagnósticos e ofícios, fundamentais para compreender as transformações sofridas pelo edifício ao longo de sua história como sede do Legislativo municipal e para subsidiar os estudos técnicos do projeto.

No campo da formação acadêmica, o Palácio Amarelo passou a ser objeto de estudo em disciplinas do curso de Arquitetura e Urbanismo da UERJ. Em agosto de 2021, alunos do sétimo período participaram de uma demonstração do scanner a laser FARO Focus, realizada no próprio Palácio, com a presença de professores da UERJ e servidores da Câmara Municipal. O equipamento foi utilizado para a coleta precisa de dados da sala da Plenária e da fachada principal, contribuindo para o aprimoramento dos levantamentos arquitetônicos.

Em julho de 2022, estudantes da disciplina Reabilitação e Reutilização de Edifícios Tombados I iniciaram estudos presenciais no local, com levantamentos e medições da Casa Anexa, localizada nos fundos do Palácio, utilizando instrumentos como trenas, níveis a laser e trenas digitais.

Outras atividades acadêmicas incluíram aulas de levantamento topográfico realizadas em 2022, com uso de estação total no entorno da Casa Amarela e na Praça da Águia, em frente ao Palácio, além do desenvolvimento de propostas de intervenção baseadas nas leis de restauro. Em 2023, estagiários da Câmara e alunos da UERJ realizaram o levantamento arquitetônico minucioso de todos os ambientes internos do edifício, etapa fundamental para o entendimento de sua estrutura, das patologias existentes e para a elaboração de projetos técnicos futuros.

O projeto também incentivou a produção de materiais didáticos e modelos físicos. Em 2022, alunos da UERJ elaboraram uma maquete em escala 1:50 da Casa Anexa, representando fielmente suas características arquitetônicas e utilizando como base os levantamentos realizados em campo. Já em 2024, estudantes da disciplina Maquete 2 desenvolveram um modelo do Palácio Amarelo e uma fachada tátil destinada a pessoas com deficiência visual, ampliando o alcance social e educativo das ações.

Fotografia da maquete em comparação com a Casa Anexa. Autoria: Beatriz Guerra

Fachada Principal do Palácio na Maquete. Autoria: Gabriel Carvalho

As atividades de educação patrimonial seguiram sendo desenvolvidas ao longo dos anos, com visitas guiadas ao Palácio Amarelo, como a realizada em setembro de 2022 por alunos da Escola Municipal Bataillard, e com o apoio de estagiárias do projeto em aulas realizadas em 2023 na Escola Municipal Jandira Bordignon, utilizando apostilas produzidas pela própria equipe. Essas iniciativas reforçam o compromisso do projeto com a disseminação do conhecimento, a valorização do patrimônio cultural e a formação de uma consciência coletiva sobre a importância da preservação do Palácio Amarelo como bem histórico e símbolo da cidade de Petrópolis.

No início do mês de junho de 2024, a professora Maria Das Graças participou da roda de conversa do evento “Jornada olhos de ver”, organizado pela equipe do Patrimônio UERJ em parceria com o projeto Olhos de Ver. A professora falou em nome do Projeto Palácio Amarelo no evento que tinha como objetivo promover os projetos de extensão do curso de Arquitetura e Urbanismo da UERJ. Para além de expor os eixos de atuação e as atividades que vêm sendo realizadas, a coordenadora do projeto apresentou o conteúdo produzido em parceria com a equipe do Patrimônio UERJ.

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